Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010


ncwportal.com

PRECARNAVALESCO

Nem toda passista é MUSA.
Nem mesmo quando abusa
E abole a blusa.

Extenso ou pequenino
Nem todo samba-enredo é HINO.

Seja o som celeste
Agreste ou silvestre,
Nem toda bateria tem um MESTRE.

Tem o tatamba
O que descamba
O que esculhamba:
Mas nem todo sambista é BAMBA

E nem toda escola
É SAMBA.




Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010



NÃO PERCAM! O “DESPERTAR DA PRIMAVERA”! ÚLTIMOS DIAS.

Então, estamos combinados. O Brasil é um país mestiço, que nunca teve leis segregacionistas nem conflitos raciais.

Não precisa.

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P.S: O Velhote está de novo sem acesso ao Lote (sem o chamado feed-back). Mas a editoria já está providenciando a mudança.




Segunda-feira, Janeiro 25, 2010



CIDADE, QUEM TE FALA É UM SAMBISTA
Nei Lopes


O título deste artigo – embora grafado sem aspas, por razões que o leitor logo compreenderá – não me pertence. Pois é, nada menos que o verso inicial de um Samba de Paulo da Portela, Cidade Mulher.

Aproprio-me dele por usucapião. Com a autoridade de alguém que nasceu nessa Cidade e viveu suas doçuras e agruras por mais de 60 anos. Falo também na honrosa condição de suburbano, nascido às margens dos trilhos da Estrada de Ferro Rio D’Ouro e perto de uma capelinha de São Sebastião, que depois virou oficina mecânica. E como filho e irmão de gente que andou de bonde de burro; trabalhou na fábrica Nova América, hoje shopping; e viu nascer o Império Serrano. E falo, enfim, não só como compositor de sambas, mas como sambista, categoria quase em extinção no Rio de hoje. Deixa eu falar.

Uma Cidade é muito mais que uma “aglomeração humana de certa importância”, como definem os dicionários. Qualquer uma delas é sempre um organismo pulsante, corpo e alma. E, como tal, inspira sentimentos que se desdobram em canções e cancioneiros. Como o do Rio e o do samba.

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Em 1919, reagindo ao protagonismo da comunidade baiana na formatação do samba na antiga Capital Federal, o compositor Sinhô, fazia, por via indireta e, certamente, sem o perceber, uma incisiva exaltação, em letra e música, das virtudes da terra carioca.

“A Bahia é boa terra/ Ela lá e eu aqui, Iaiá/ Não era assim que meu chorava...” – cantava ele na letra do Samba Quem são eles, para, depois dos esperados revides, dar a tréplica, assim:

“A Bahia não dá mais coco/ Pra botar na tapioca/ Pra fazer o bom mingau/ Pra embrulhar o carioca” (Fala meu louro, 1920).

Mais ou menos serenados os ânimos, Sinhô cantou a Festa da Penha (Viva a Penha, 1926); lamentou a anunciada demolição do Morro da Favela (A Favela vai abaixo, 1928), que afinal não ocorreu. Mas logo faleceu, a bordo de uma barca, quando atravessava a baía – a nossa –, chegada a nova década.

No rastro de Sinhô, o samba dos primeiros tempos pouco se interessou, pelo menos diretamente, em tematizar a Cidade, só falando do que nela mais lhe despertava interesse: “mulher, navalha, tamborim e baralho, / as quatro armas principais do vagabundo”, como na letra de Cinco partes do mundo, Samba de Benedito Lacerda e Gastão Viana, lançado em 1934.

Até mesmo o genial e fértil Noel Rosa, em seus sambas, apenas tangenciou o assunto, cantando especificamente a sua Vila Isabel e referindo outros bairros e localidades como a Penha, o Estácio, o Caju, e o importante morro do Salgueiro:

“(...) um Samba feito nas regras da arte/ Sem introdução e sem segunda parte/ Só tem estribilho, nasceu no Salgueiro/ E exprime dois terços do Rio de Janeiro”. (Quem dá mais, 1930).

O Poeta da Vila, nessa, passou perto. Apenas. Mas, então, veio Paulo da Portela, trabalhador, bom filho e bom cidadão.

A Cidade, o Samba e Freud

Se Freud explicasse o samba carioca, certamente diria que nossa relação com a Cidade é antes de tudo “uterina”. Porque uma das primeiras formas de abordagem do tema, nos primeiros tempos, foi essa, em que a Cidade cantada é o ventre materno, como expressou Paulo da Portela, louvando a baía carioca, útero da Cidade:

“Como é linda a nossa Guanabara! / Jóia rara! / Que beleza /Quando o nosso céu está todo azul... / Anoitece e o céu se resplandece/ Em seu bordado de estrelas/ Vê-se o Cruzeiro do Sul...” (Linda Guanabara, 1935).

No já citado Cidade Mulher, de 1939, o “Professor Paulo”, toma a benção ao Rio inteiro, incorporando-se a ele e, reverente e filial, prostrando-se aos pés da musa Mãe, sem nem se considerar, ainda, um artista completo:

“Cidade, quem te fala é um sambista, / Anteprojeto de artista, / Teu grande admirador. /Me confesso boquiaberto, / De manhã, quando desperto/ Com tamanho esplendor. / (...) / Diante de tal beleza / Que lhe deu a natureza / Se há outra, não vi igual (...) / Te admiram estrangeiros/ Se orgulham os brasileiros / Teus poetas sonhadores”.

No mesmo diapasão, cantou Mangueira em 1941, num enredo sobre Pedro Ernesto, o mais popular e querido de todos os governantes da Cidade. Assim, ela indiretamente louvava, também, a Cidade Mãe.

Bem verdade que o samba sempre esteve mais pra gongá do que pra divã. Mas, entregue ele aos cuidados freudianos, e deixando lá atrás seus primeiros tempos, poderíamos dizer que, como o amor filial também gera ilusão (a disponibilidade do seio) e desilusão (a supressão dele como fonte de nutrição e prazer), o samba às vezes é iludido pela Cidade. Aí, como a recorrente figura da “mulher ingrata”, que os sambas mais antigos consolidaram, ela também pode tornar-se ou ser vista como perigosa e até nociva, como nesta visão:

“Cinzentas nuvens de fumaça /Umedecendo meus olhos/ De aflição e de cansaço/ Imensos blocos de concreto/Ocupando todos os espaços/Daquela que já foi a mais bela Cidade/Que o mundo inteiro consagrou (...)” (Paulinho da Viola, Amor à natureza, 1975).

Explicando, ainda, o Samba e figurando a Cidade, mesmo, como uma mulher, nosso improviso “Psi” diria mais o seguinte: que o filho tornado amante da Cidade (a poesia convalida o incesto) não se apaixona realmente por ela e, sim, por algo que ele quer que a Cidade seja. Ele a “ama” porque imagina que ela, a “Cidade amada” tenha algo que ele, amante, não tem. E, então, nela busca aquilo de que precisa:

“(...) Rio, não te esqueço um minuto/ Mesmo de longe te escuto/ És o meu bem. / Oh, Cidade Bela, que eu sempre hei de amar/ Vivo bem longe dela e não consigo olvidar. / Mas se algum dia voltar, será enfim/ Pra nunca te deixar/ E assim ficar bem junto a ti”.

Assim cantou Bruno Marnet (1923 – 2001), compositor carioca nascido na Itália, no samba Saudades do Rio, parceria com Clício Duarte, gravado na década de 60. Autor pouco conhecido, Marnet mostra em sua obra – que a internet tornou acessível – outras declarações de amor à Cidade. Como a deste samba, popularizado na voz da grande intérprete Ângela Maria, no qual, partindo de sua experiência européia, o compositor amante não hesita em desdenhar de Paris, em favor de sua Cidade amada:

“Falam de Paris/ de La France de l’amour, /Dizendo que lá tudo é bom, / Mas é aqui que a gente sente, / Neste Rio quente, quente, /O verdadeiro hino do amor...” (Rio é Amor, 1954).

Nos anos 50, época do sucesso deste samba, a Cidade Mulher, é claro, também já tinha seus problemas. Afinal de contas, sobre seu corpo moreno e suas curvas sinuosas já pesavam quase 400 anos, nem sempre felizes. Ela já fora sede de capitania e Município Neutro; já fora retalhada em sesmarias, freguesias e circunscrições; e dali a pouco perderia a invejada condição de Capital da República. Seus achaques, então, apesar do corpão ainda apetitoso, eram muitos. Como as enchentes, que volta e meia a alagavam. Todinha.

Foi aí, então, que o samba, agora caricato e irreverente, meteu lá, usando Moreira da Silva, “o Tal”, como seu porta-voz:

“Esta Cidade, que ainda é maravilhosa, / Tão cantada em verso e prosa, /Desde os tempos da vovó. /Tem um problema, crônico renitente, /Qualquer chuva causa enchente, /Não precisa ser toró. /Basta que chova, mais ou menos meia hora, /É batata, não demora, /Enche tudo por aí. / (...) /Por isso agora já comprei minha canoa,/Pra remar nessa lagoa,/ toda a vez que a chuva cai,/E se uma boa me pedir uma carona, /Com prazer eu levo a dona,/ Na canoa do papai” (Cidade lagoa, Cícero Nunes e Sebastião Fonseca, c.1960).

É nesse clima que a Cidade Mulher, como se fora uma funcionária relapsa, é destituída de seu importante cargo federal. Mas o samba, resgatando parte da malandragem dos anos 30 e, folgado como ele só, recusa a mudança para o planalto central:

“Eu não sou índio nem nada/Não tenho orelha furada/Nem uso argola/Pendurada no nariz./(...) ./Não vou, não vou pra Brasília/Nem eu nem minha família/Mesmo que seja/Pra ficar cheio da grana/A vida não se compara/ Mesmo difícil, tão cara/Quero ser pobre / Sem deixar Copacabana” (Não vou pra Brasília, Blilly Blanco, 1957).

Entretanto, logo depois, mesmo trocada por outra novinha, a Cidade Mulher, numa boa, comemora sua condição de quatrocentona. Tão conservada e bem apanhada que, agora mais do que nunca, todo mundo resolve cantá-la. Mas quem chega na frente, com vários corpos de vantagem, e com um fraseado muito além da bossa-nova, é o imbatível Billy Blanco:

“Rio, / Estácio no passado fez este presente, /E deu abençoado três vezes à gente, /Pois Deus é africano, índio e português, / Como o babalaô, como o padre e o pajé, / A macumba, a crendice, a missa e a fé, / (...) Rio, de Deus que é brasileiro e do lugar, / Rio do bicho que não deu, mas ia dar, /Festival de anedotas, luz e cor, / (...) /Rio, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, / Rio de Janeiro, Brasil, Brasil...” (Rio do Meu Amor, 1966).

A Cidade História

Em sua tese Medalhas e brasões: a História do Brasil no samba (Rio, Centro de Pesquisa e Documentação da História Contemporânea do Brasil, 1992), a antropóloga Monique Augras, demonstra como o subgênero samba-enredo, engajado desde a década de 1940 no empreendimento patriótico então em vigor, adotou o tom laudatório que o caracterizou até bem pouco tempo, inclusive para exaltar as principais cidades do País.

Embora obediente à orientação de não privilegiar esta ou aquela região ou cidade, o Samba não teve como não puxar a brasa pra nossa sardinha, ou melhor, para o tremendo rabo de peixe da Cidade Mulher.

Foi assim que, na mostra tabulada para sua tese, a antropóloga concluiu que, no período de 1948 a 1975, a cidade do Rio de Janeiro, berço privilegiado do Samba e das escolas, foi exaltada em 32.54 % das ocorrências; contra 21.89% para a Bahia, personificada na cidade de Salvador; 13% para Minas Gerais, como um todo, diluindo-se o restante entre outras cidades e lugares.

Lembrou Monique Augras que, apesar de, em 1965, o grande concurso carioca das escolas de Samba ter sido monotemático, em atenção ao Quarto Centenário de fundação da Cidade, essa circunstância não pesou tanto assim.

De fato, desde o mencionado enredo sobre o prefeito Pedro Ernesto, desenvolvido pela Mangueira em 1941, a exaltação do Rio, por sua beleza feminina ou por sua historicidade, é uma constante no samba das escolas, como podemos demonstrar com os três significativos exemplos seguintes:

“Cidade/ de São Sebastião do Rio de Janeiro/ Rainha das paisagens/ Maravilha do mundo inteiro/O teu cenário histórico/ Passamos a ilustrar/ O sonho do teu fundador, /Estácio de Sá/ Simbolizando em cânticos alegres, / Hoje viemos exaltar. // Estão consumados, Cidade, teus ideais/ Apologia aos teus vultos imortais/ (...) / Eterna capital de encantos mil/ (SOLFEJO) / Orgulho do meu Brasil”. (Rio, capital eterna do Samba - Walter Rosa – Portela, 1960).

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“ (...) Rio de Janeiro/Da igreja do Castelo/Das serestas ao luar/Que cenário tão singelo/Mucamas, sinhás-moças e liteiras/Velhos lampiões de gás/ Relíquias do Rio Antigo/ Do Rio Antigo/ Que não volta mais (...) / Que esplendor! Quantos matizes!/ Glória a Estácio de Sá / Fundador desta Cidade tão formosa/O meu Rio de Janeiro/ Cidade maravilhosa...” (Recordações do Rio Antigo - Hélio Turco, Pelado e Cícero - Mangueira, 1961).

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“(...) Rio dos Vice-Reis/Dos chafarizes/ Das velhas congadas/Rio dos capoeiras/Cenário eletrizante/Das famosas cavalhadas/Quando badalavam os sinos/ Anunciando a Festa do Divino/Era lindo o seu ritual/ Admirado até na corte real/O monumento dos Arcos/Com todo o seu esplendor/O Rio das lindas paisagens/E das belas carruagens/Obra de grande valor/ (...)” (Rio dos Vice-Reis - Mano Décio, Aidno Sá e Davi do Pandeiro – Império Serrano, 1962).

No carnaval de 1963, numa escolha tumultuada, o Império Serrano levou para a avenida, com o enredo Rio de ontem e de hoje, um Samba – digamos – híbrido, estranhamente assinado por toda a Ala de Compositores mais o compositor David do Pandeiro. Com uma bela melodia, ele desenvolve assim a sua primeira parte:

“Cidade do Rio de Janeiro/Maravilhosa tela/Que a natureza criou/Orgulho do povo brasileiro/Abençoada pelo Cristo Redentor/Em 1565/Estácio de Sá fundou/A Cidade do Rio de Janeiro/Que o mundo consagrou/Salve Mem de Sá/E os heróis desta grande jóia/Salvador Correia de Sá/E os guerreiros de Araribóia”

Segue-se, então, a segunda, com uma melodia de padrão diferente da primeira. E com um elogio absolutamente explícito ao Poderoso de plantão, de uma forma talvez inédita nas letras de samba-enredo:

“Este Rio que amo/Tornou-se uma jóia rara/ Temos um governador/Que procura engrandecer/ A nossa Guanabara”.

Dois anos depois, no carnaval do Quarto Centenário, todas as superescolas cariocas tiveram que, de uma forma ou de outra, homenagear, a Cidade. Aí, o mesmo Império Serrano se redimiu brilhantemente, com o célebre Os Cinco Bailes, assinado por Silas de Oliveira, Mano Décio, Ivone Lara (ainda não “Dona”) e Bacalhau.

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A Cidade Bandida e Refém

Nesse bailão imperial, em que a Academia do Salgueiro “fez” o carnaval, a Cidade também brincou. E, depois, mesmo destituída, como já vimos, de sua condição de centro político do país, ela foi à luta. Festejou seus 400 janeiros; posicionou-se contra a Ditadura; seqüestrou embaixadores; comemorou a Copa; trouxe de volta seus exilados; recebeu o Papa... E elegeu o Brizola. Que acabou virando sinônimo de outra coisa.

O caso é que, até a década de 70, as escolas de samba ainda eram um pouquinho ingênuas; e a alvorada lá no morro ainda era uma beleza.

Parodiando o saudoso e querido Carlos Cachaça, eu diria que, no morro, naquela época ninguém chorava (tanto), não havia (tanta) tristeza, e ninguém sentia (tanto) dissabor.

Os motivos deixemos para os cientistas políticos e sociais. Mas o fato é que o buraco ficou muito mais quente (até por conta do advento do “microondas”); a serrinha ficou mais afiada; e o macaco menos engraçado. E o samba, é claro, fotografou a mudança:

“O galo já não canta mais no Cantagalo/A água já não corre mais na Cachoeirinha/Menino não pega mais manga na Mangueira/E agora que Cidade grande é a Rocinha! /Ninguém faz mais jura de amor no Juramento/Ninguém vai-se embora do Morro do Adeus/Prazer se acabou lá no Morro dos Prazeres/E a vida é um inferno na Cidade de Deus// (...) Pela poesia dos nomes de favela/A vida por lá já foi mais bela/Já foi bem melhor de se morar/Mas hoje essa mesma poesia pede ajuda/Ou lá na favela a vida muda/Ou todos os nomes vão mudar”. (Nomes de favela – Paulo César Pinheiro, 2004)

Em 1994, o jornalista Zuenir Ventura consagra, através do livro assim intitulado, a expressão “Cidade Partida”, para mostrar a divisão do Rio de Janeiro em duas partes, uma com tudo e outra sem nada, uma cidadã e outra marginal.

Essa divisão, porém, existiu desde o início: com as “boas famílias” e os “de cor”; o “lá em cima” e o “cá embaixo”; entre a zona sul e o subúrbio; e entre o “asfalto” e o “morro”. Noel Rosa mesmo registrou várias vezes essas dicotomias:

“A gíria que o nosso morro criou/ bem cedo a Cidade aceitou/ e usou” – disse ele em Não tem tradução, de 1933, para, no ano seguinte, disparar: “Quem faz versos/ e no morro faz visagem/ leva sempre desvantagem/ dorme sempre no distrito./ Entretanto, quem é rico/ e faz Samba na Avenida, / quando abusa da bebida/ todo mundo acha bonito”. (Se a sorte me ajudar, 1934, com Germano Augusto).

Mas a questão, agora, não era só a clássica divisão entre quem tem e quem não tem.

O que acontece é que o século novo , com o primado do capitalismo mais barra pesada, disseminou um estranho modismo que é a violenta exploração comercial e industrial da miséria violenta. E isso levou a um outro seccionamento dentro da Cidade partida, o qual separou, agora, segundo o editor Paulo Roberto Pires, o “Rio” do “De Janeiro”.

No “Rio” estão, segundo Pires (em A terceira margem do Rio, O Globo, 24.08.2008), extremos: “o Leblon, glamourizado até em novelas; e a favela, observada gulosamente pelo voyeurismo da classe média, enquanto é massacrada pela polícia violenta e cineastas modernos”.

Eis aí, então, a Cidade refém, assim cantada pelo Samba:

“(...) Chorei/Com saudades da Guanabara/Refulgindo de estrelas claras/Longe dessa devastação (...) /Brasil, tua cara ainda é o Rio de Janeiro/Três por quatro da foto e o teu corpo inteiro/Precisa se regenerar/Eu sei/Que a Cidade hoje está mudada/ Santa Cruz, Zona Sul, Baixada/Vala negra no coração/Chorei/Com saudades da Guanabara/Da Lagoa de águas claras/Fui tomado de compaixão (...) /Brasil/Tira as flechas do peito do meu Padroeiro/Que São Sebastião do Rio de Janeiro/ Ainda pode se salvar”. (Saudades da Guanabara - Moacyr Luz, Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro, 2003).

Entretanto, é preciso cantar. E aí o subúrbio mete bronca. Como neste samba de Luis Grande, imenso compositor da Imperatriz, gravado em 2005, num CD autoral independente, patrocinado pela Petrobrás:

“Eu me sinto feliz em ser suburbano/ A nossa convivência/ é respeito e decência/ com calor humano/ (...) O subúrbio dá show em convivio social/ O suburbio é, fale quem quiser/um lugar maneiro pra se morar/ Mesmo que eu fique rico, compadre/ eu nunca saio de lá”.

E o também grande Arlindo Cruz não faz por menos:

“O meu lugar (...)/ é cercado de luta e suor/Esperança num mundo melhor/E cerveja pra comemorar / O meu lugar/ tem seus mitos e seres de luz/ É bem perto de Osvaldo Cruz/Cascadura Vaz Lobo, Irajá/ (...)/ Ai quelugar/ tem mil coisas pra gente dizer/ O dificil é saber terminar/ Madureiraaa, lá lá laiá, Madureiraaa, lá lá laiá...” (O Meu Lugar – com Mauro Diniz, 2008).

Mudando o Tom

[PAUSA – MODULA – TOM MENOR – O PANDEIRO APENAS RUFLA AS PLATINELAS]

Cidade quem te fala é um sambista. Não um “anteprojeto de artista”, como se autoavaliava Paulo da Portela, mas um profissional da criação intelectual que já te cantou, retratou, radiografou, evocou e analisou sob vários aspectos, em prosa e versos, em ensaios, contos, romances, e principalmente em sambas.

“Quando a solidão me bate à porta/Nessas horas mortas, dessas noites de verão/Nos ruídos surdos da Cidade/Sinto som de flauta, cavaquinho e violão..” - cantou este teu sambista em 1970, com melodia de Reginaldo Bessa, quando o Largo da Carioca virava uma grande cratera “pra dar passagem ao Metrô”.

Logo depois, com Wilson Moreira, o sambista colocou nos divinos lábios da meiga Elizeth esta queixa: “Hoje esta Cidade assassina/ me enfia um punhal na alma/ e me alucina...”

**

Agora, te canto do “Fundo do Rio”, como fiz com Guinga, em 2001:

“Rio de Janeiro, Rio bandoleiro, Rio violeiro / (...) /Nasci no fundo do Rio, Sou um peixe arredio/ Caranguejo e siri (Acari, Bariri) / Meu pé pisou muito barro/ mas tirei muito sarro. (...) / E que brenhas e prenhas subi no vaivém/ Na linha do trem/Rio de Janeiro, /Rio presepeiro, / Rio pagodeiro / Minha alma canta um pagode. Mas o cartaz diz ‘Não pode...”.

Porque afinal isto aqui é um artigo e não uma cantoria.

Então, “cidade bonitinha e má / sobrinha-neta de Estácio de Sá/Filha de Cunhambebe/Baby, baby, baby”, eu, agora, falo como aquele menino que aos 10 anos viu o rio passar na avenida principal do subúrbio de Irajá. Que, logo depois, em Marechal Hermes, conheceu teus maiores cantores, de Oswaldo Cruz ao catete, da Serrinha à Praça Saenz Peña, de Parada de Lucas a PadreMiguel e Santa Cruz.

Cidade, quem te fala é o acadêmico, que assim, campeão, te saudou, em 65, pela caneta do grande Geraldo Babão: “Salve o Rio de Janeiro/ Seu carnaval, seu ‘quatrocentão’./ Feliz abraço do Salgueiro/À Cidade de São Sebastião”. E que, em 83, com o samba de Bala e Trindade, tirou essa onda: “Eu sou o Rio e rio à toa/ Sorrio de quem me impede de sorrir”.

Então, Cidade, presta atenção! Tua alma é uma só; e nenhum túnel ou via expressa pode dividir essa alma em duas.

Presta atenção, Cidade




Terça-feira, Janeiro 19, 2010


carrieartcollection.com

O LEGADO CULTURAL DO HAITI PERMANECE ENTRE NÓS

Quem conhece o Haiti de perto e de verdade – e isso temos pinçado aqui e ali no noticiário da grande tragédia do último dia 12 – não cansa de afirmar a alegria, a tenacidade e a criatividade do povo daquele país. Que afloram apesar do racismo que transtorna a cabeça de pessoas como o Sr. George Samuel Antoine, cônsul do país em São Paulo, como mostramos no post-scriptum deste texto.

Desde pelo menos 1928, com Jean Price-Mars, como já vimos num post anterior, os bons artistas e intelectuais haitianos se empenham na celebração de sua vibrante cultura, numa ação pioneira de intercâmbio e fusão entre elementos africanos, franceses e caribenhos. Entre esses, alem do autor de Ainsi parla l’Oncle, destacaram-se romancistas como Jacques Roumain e Jacques-Stephen Aléxis e poetas como René Depestre, Ida Flaubert e Marie Chauvet.

Muito dessa literatura foi escrito em francês. Mas a partir do momento em que o kriol (crioulo), antes banido pela ditadura de Duvalier, foi reconhecido, em 1987, como língua oficial, sendo normatizado nas escolas e usado em documentos governamentais, as obras literárias, dramáticas, líteromusicais etc., nele escritas, ganharam maior difusão popular.

Celebrando sua cultura foi que os haitianos vieram construindo, até o trágico evento de 12 de janeiro, sua rica música popular. Foi assim quando na década de 1940, sob influência da gigantesca música afrocubana criou-se o estilo “mizik twoubadou”; que redundou no “kompá direk”, do maestro Némours Jean-Baptiste na década seguinte e, na seqüência, o “mini-jazz”, nos anos 60. Assim também foi o movimento de volta às raízes, chamado “mizik rasin”, nos 70. E ainda o grupo Boukman Ekspéryans, formado no fim da década de 1980 e destacado mundialmente no universo da world music;

A dinamização da cultura nacional haitiana chegou também às artes visuais com pintores como, por exemplo, Hector Hyppolite, um dos artistas que mais contribuíram para dar visibilidade internacional à cultura de seu país, e Wilson Bigaud, discípulo do primeiro e autor dos afrescos da catedral de Saint Trinité, e muitos outros.

O que queremos mostrar, neste texto traduzido e adaptado da “Africana; the encyclopedia of the african and african american experience” (1999), é que o imenso tesouro cultural do Haiti é uma extensão da história do país, tanto do ponto de vista de sua grande influência, principalmente para os povos de origem africana, quanto por seu papel como o primeiro país no qual africanos mostraram ser capazes de subverter o cruel sistema escravista baseado na raça.

A porção material desse tesouro jaz hoje, em grande parte, entre os escombros do terremoto. Mas seu legado espiritual permanece entre nós.

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PS: As infelizes declarações do cônsul do Haiti em São Paulo, estampadas em O Globo, 16.01.2010, pág.32 (“O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano tá foda”) são apenas uma ponta do racismo que se cria, em qualquer país da Diáspora, entre os descendentes de africanos, quando uma minoria mais clara, de aparência mais “européia”, motivada pela mestiçagem, se isola arrogantemente dos demais. E esse é, desde a Independência, um dos grandes problemas do Haiti .




Sexta-feira, Janeiro 15, 2010



HAITI, BERÇO DA NEGRITUDE

Após a de­cla­ra­ção de in­de­pen­dên­cia em 1804, num momento em que o Brasil ainda nem existia como nação, a in­te­lec­tua­li­da­de hai­tia­na pas­sou a pro­du­zir ma­ci­ça­men­te li­te­ra­tu­ra, em pro­sa, ver­sos e li­vros di­dá­ti­cos, em mi­lha­res de tí­tu­los. Mas es­sa li­te­ra­tu­ra era ain­da qua­se to­da cal­ca­da no mo­de­lo fran­cês, até o sur­gi­men­to, em 1928, de Ainsi Parla l’Oncle, o clás­si­co de Jean Price-Mars (foto), con­ce­bi­do e pu­bli­ca­do no con­tex­to da Revue Indigène, mo­men­to em que os in­te­lec­tuais hai­tia­nos co­me­ça­ram a bus­car ins­pi­ra­ção em ­suas raí­zes afri­ca­nas e na sua pró­pria rea­li­da­de. O or­gu­lho des­se des­co­bri­men­to ex­pan­diu-se pe­las Antilhas e re­ce­beu, do poe­ta e es­ta­dis­ta mar­ti­ni­quen­se Aimé Césaire (1913 – 2008), o no­me de Negritude. Daí construiu-se toda uma pujante literatura, nas Américas, na África e na Europa. E, no ca­mi­nho des­sa des­co­ber­ta, nas artes e na cultura em geral tudo se refez.

VAMOS AJUDAR NA RECONSTRUÇÃO DO HAITI.

Banco do Brasil – Agência 1.606 -3 – Conta-corrente 91.000-7




Quinta-feira, Janeiro 14, 2010



CHANTE DE DOULÈ POU MWEN FRÈ D’ HAITI

Atenção ao apelo
Dos elementos:
Eles vociferam clamores
Brabos, violentos
Rubros calores
Congelam ventos
Borbulham lavas
De verões purulentos.

Ah, mwen fré d’Haiti!
Esperáveis o quê
Como úni­ca na­ção da História
Cria­da por uma re­vol­ta de es­cra­vos?
Wi. O ­ódio das gran­des po­tên­cias
E o mundo te virando as costas.

Ansiáveis o quê
Quando quebrastes o encanto escravista
Provando que a ca­deia de do­mi­na­ção
Po­dia ser rom­pi­da?
Wi. A ousadia dos negros em todas as Américas
E o temor dos senhores.

Esperáveis o quê
Dos grandes investimentos estrangeiros?
A drenagem de tuas riquezas
Para os países industrializados
O endividamento progressivo
E a dependência total?
A exploração desordenada da terra
E a exaustão do teu solo?
Jamè! Claro que não!

Maus elementos:
Narciso cioso só
Da pérola
No próprio umbigo.
Gargantua
Pantraguélico
Devora shopping-centers.
Sentimentos fenecem
E levam para o túmulo
O sentido das coisas.

Ah, mwen frè d”Haiti !
Esperáveis o quê?

Milè, mizè, Bondyè?
Uma esmolinha, agora,
Pelo amor de Deus!




Segunda-feira, Janeiro 11, 2010



MANDINGAS DA MULATA VELHA NA CIDADE NOVA

(Fred Góes - circularizado via e-mail)

Este é o título do livro do verão 2010, vinte dez, como dizem os americanos. Já é. Não presta a atenção em mais nada. Nei Lopes te põe na Praça Onze, entre ranchos, blocos e batucadas, na casa das lendárias tias baianas, quituteiras, na passagem do século XIX até as primeiras décadas de XX, atravessando o Rio de bonde com o repórter Costinha em busca de notícias. O texto é primoroso.

Apresenta um momento histórico ficcionalmente reconstruído que tem como cenário a Pequena África, como chamava Heitor dos Prazeres, a Cidade Nova do Rio de Janeiro de um jeito que a literatura brasileira ainda não conhecia. Com ginga, com suingue.

Um universo cheio de ancestralidade, de atitude negra, de negritude. Conta do tempo em que o samba nasce e se molda nas festas. Nas rodas, formadas pela primeira geração de afro-descendentes nascidos em liberdade.

É o que há de mais carioca em formato de livro no momento.

Para a editora Língua Geral a nota é vinte dez .

(Fred Góes é compositor (letrista), ensaista, dramaturgo e Professor/Doutor de Teoria da Literatura da Faculdade de Letras da UFRJ.)




Quinta-feira, Janeiro 07, 2010


4 bp.blospot.com

SABOTAGEM NO LOTE? NO CREO, PERO...

Como na internet tudo é possível, o Velhote do Lote parece estar sendo vítima de uma censura...digamos... tecnológica, pois está com seu acesso à própria “casa” barrado desde antes do Natal.

“Forças ocultas”, dirão uns. “Faz um descarrego!”, bradarão outros.

O fato é que essa censura (ou esse boicote), venha de onde venha, está nos incomodando.

Imaginem o que é escrever sem ver efeito ou resposta. É o mesmo que amar sem ser amado; beijar de boca fechada; comer siri com garfo...

Mas... vamos esperar. Quem sabe se de repente não sai, aí, do canto esquerdo do palco, um mágico tirando a solução da cartola?! Ou, da platéia, um médico?! Ou o pessoal dos “Direitos Humanos” pra protestar contra a sacabotanagem aplicada em cima de um Lote que não conhece o seu lugar?

Aguardemos, pois.




Terça-feira, Janeiro 05, 2010



UM PÁSSARO DE FOGO NA NOITE DE IRAJÁ

(...)

Alguns dias depois, a Freguesia de Irajá, tão carente de sucessos ou eventos, amanhece aparelhada como que para uma grande festa. Pelas duas horas da tarde, o som marcial da fanfarra do regimento da guarnição, especialmente chegada na noite anterior, já enche a pracinha em frente à igreja. E no meio da praça, alta, de quase três metros, símbolo da autoridade do vice-rei, ergue-se a torre de toras de árvore, troncos e lenha seca.

Cerca de uma hora depois, sai, por detrás do cemitério da Irmandade, a procissão fúnebre, guardada por três pares de cavaleiros, tendo à frente o vigário-geral. Atrás dele, envergando suas opas roxas, os irmãos da Apresentação, mais o séquito de beatas e, finalmente, o réu. Como plateia, literalmente toda a população da Freguesia, na qual se inclui o povo dos arraiais mais afastados — Quitungo, Areal, Barro Vermelho, Rio das Pedras...

O convicto foi condenado pelo Santo Ofício. Seus crimes são os de sempre: bigamia, blasfêmia, feitiçaria. Mas o que realmente o leva até ali são as fartas provas de conjuração para “alçamento e comoção de povos”, no que as autoridades coloniais estão cobertas de razão.

Solonga — esse o nome do condenado — é o chefe de um florescente quilombo descoberto nas matas do Pau-Ferro. Lá, reuniu quase cem fugitivos da escravidão, os quais, cada dia mais fortemente armados, tramavam a derrubada da autoridade eclesiástica, a morte de todos os fazendeiros da região, a libertação dos escravos e a consequente volta de todos eles — não se sabe como — para as terras do outro lado do oceano, onde tinham nascido ou de onde tinham vindo seus pais ou avós.

Três, quatro horas da tarde, Domingo vê o negro Solonga impassível, distante, a mente vagando, talvez, quem sabe já atravessando o mar grande, em busca da ‘Ruanda ou da Guiné.

— Isto posto, condeno o réu à pena de morte por fogo — o meirinho lê a sentença —, sendo declarado infame, assim como seus filhos e netos, se os tiver; sendo seus bens, se os houver, confiscados em proveito do Real Erário; sua residência, se existir, arrasada e o respectivo terreno salgado para que nunca mais nele se edifique e, no local, seja erguido um padrão pelo qual se conservará a infâmia do abominável, condenado

ad perpetuam rei memoriam.

Domingo tenta entender o latim. Mas logo fixa-se no padre, que abre o ensebado livrinho de capa preta, tinto de vermelho no rebordo das páginas, para ler, a voz cansada, a conhecida passagem do Eclesiastes:

— “Obedecei às ordens do rei, uma vez que, na presença de Deus, vós jurastes ser fiel a ele. O rei pode fazer tudo o que quiser. Não tenhais pressa em sair da presença dele e não insistais em fazer coisas erradas...”

Um bando de maritacas passa em direção ao mar, fazendo algazarra. Voam no rastro de Solonga, buscando também aquela mítica e difusa Guiné ou a ‘Ruanda — lugar de natureza tão privilegiada e bela que os deuses, quando cansados das atribulações que os humanos lhes causam na Terra, vão para lá descansar.

— “O rei age com autoridade” — o padre prossegue, sonolento — “e ninguém pode reclamar do que ele faz. Enquanto obedecerdes às ordens dele, nada de mal vos acontecerá...”

A plateia já se impacienta com o longo exórdio. O negrinho Domingo também, num misto de curiosidade e terror. Afinal, o que se quer é o espetáculo! Mas o padre já inicia o Credo, que é rezado com mal disfarçado entusiasmo pela multidão em uníssono.

Terminada a oração, o condenado é amarrado ao poste de madeira que integra a pira de lenha; e seu corpo é embebido em óleo combustível. Isso feito, a tocha incandescente, lançada por um dos guardas, acende a fogueira, numa explosão surda, e altas labaredas sobem ao céu crepitando. Mas então — ah! — sabe-se lá por que artes de que deuses africanos, talvez Aganju, talvez Xangô, talvez Zaze, talvez Hevioçô — ou quem sabe Elegbá —, o negro Solonga, corpo em chamas, desprende-se do poste e transforma-se ele mesmo numa tocha humana, num aríete em chamas (ou um pássaro de fogo, atravessando o mar em busca de ‘Ruanda?), e risca o céu, iluminando a noite que já começa a cair sobre a Freguesia de Irajá.

(Trecho de “Oyobomé”, segundo romance de Nei Lopes, lançamento da Ed. Agir, entrando na gráfica neste janeiro)




Segunda-feira, Janeiro 04, 2010


ego.globo.com

E VIVA O REVEILLON DA PAULISSSTA!

A confirmar-se o que ocorreu na passagem do ano, em 2010 a cidade de São Paulo assumirá definitivamente seu papel de centro irradiador da melhor música nacional, com o Samba, em todas as suas modalidades, reconhecido finalmente como a grande matriz fundadora e reprocessadora do som popular brasileiro em dimensão planetária.

Dizemos isso porque o reveillon da Avenida Paulista, tendo o samba de Dudu Nobre (foto ) e Martinho da Vila – sucesso há 40 anos! – como suporte, foi certamente muito melhor e mais animado do que o de toda a orla carioca.

Logo atrás de Sampa, coladinho, vem Salvador, com os poderosos tambores e metais do Araketu, dando show de suíngue, reverenciando respeitosamente os orixás, a voz do vocalista Tatau ecoando em todo o Recôncavo.

Enquanto isso, o Rio, em sua opção pelo rock e pelo pop; pelos foguetes sem pressão; pelas baterias fast-food das escolas a 1000 quilômetros por hora...

Ah! Querem saber de uma coisa? O reveillon do Lote foi o melhor de todo o Grande Rio. Pena que deu um xabu aqui na fechadura e nós não conseguimos entrar no www.neilopes.blogger.com.br há mais de uma semana

Socorro, Defesa Civil!




Segunda-feira, Dezembro 28, 2009



O HOMEM DE IDÉIAS

Lexicógrafo, etimologista, enciclopedista, compositor, carioca e suburbano, autor do recém-lançado 'Mandingas da Mulata Velha na Cidade Nova', Nei Lopes é o destaque do ano.